Pesquisa Científica em Terapia Floral na UNIFESP

A terapeuta floral, pedagoga e mestre em Educação Cássia Elisa Betetto Sciamana participou do Curso de Especialização em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos, no departamento de Neurologia e Neurocirurgia, na UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo sob a orientação da produtora das essências florais do Sistema Ararêtama – Profª Sandra Epstein e da Profª Ms. Márcia Regina Donatoni Urbano.

Seu trabalho de conclusão de curso, apresentado em Novembro de 2014, foi uma pesquisa na área da Educação e da Terapia Floral.

Cássia Elisa concedeu uma entrevista à Cynthia Accioly Abu Asseff para o Boletim das Essências Florais, edição Primavera, de 2014. Veja abaixo:

Cynthia – Em linhas gerais em que consiste sua pesquisa “As Essências Florais a serviço de uma Educação Integrativa”?

Cassia – A escolha desse tema para o desenvolvimento da monografia de conclusão do Curso de Especialização em “Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos” se deu em razão da experiência vivenciada por mim com as essências florais e na utilização delas em minha prática pessoal e profissional enquanto terapeuta e educadora.

Apresentamos no trabalho os fundamentos da terapia floral a partir de Edward Bach, seu fundador, em conjunto com os fundamentos do Sistema Ararêtama – Essências Vibracionais da Mata Atlântica cuja produtora é a educadora, arte terapeuta, fotógrafa e terapeuta floral Sandra Epstein que têm como sugestão o desenvolvimento de um trabalho cujo pressuposto teórico está baseado no cuidado de si, do outro e da comunidade a partir de uma plataforma educacional que visa à cooperação entre os grupos.
Realizamos uma pesquisa que rememora a história das essências florais ao longo dos tempos e, fizemos nesse contexto referência aos grandes produtores das essências florais do mundo atual, pois toda história é uma metáfora que carrega uma memória pessoal e ao mesmo tempo coletiva.
O objetivo desse trabalho foi o de apresentarmos sugestões metodológicas complementares a fim de abrirmos “brechas” nas instituições escolares formais e não formais para criarmos espaços onde os indivíduos sintam-se cuidados e possam cuidar, e ao mesmo tempo, conscientizarem-se que as suas ações cotidianas se reverberam por todo o Planeta.
Pretenderemos a partir disso, iniciar uma reflexão sobre a prática desenvolvida pelos educadores junto aos seus alunos que muitas vezes desconsidera a dimensão sócio-política-cultural-emocional-espiritual desses indivíduos o que acaba por acarretar inúmeros problemas na sala de aula e fora dela.
Para isso, escolhemos o trabalho com as essências florais como uma das possibilidades de abrirmos essas brechas nas instituições e possibilitar aos indivíduos que atuam no espaço escolar instrumentos para darem início ao processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento.
Acreditamos que através da Educação o ser humano pode refinar-se cotidianamente. Baseado nessa premissa, somos capazes de construir relações saudáveis com a gente mesmo e com todos os que estão ao nosso redor a partir de nossa visão de mundo e da nossa motivação diante da vida. Portanto, torna-se necessário refletirmos sobre a seguinte questão:

A nossa motivação de vida está baseada na competitividade e na sobrevivência, ou na busca do conhecimento pautado no respeito, na ética e na autenticidade?

SURI, uma das essências florais do sistema Ararêtama foi fundamental na pesquisa, pois a partir dela conseguimos produzir diferentes conexões que tiveram como propósito a construção de redes de comunicação capazes que reverberar um trabalho de Educação Integrativa.

Portanto, propusemos iniciar um trabalho que tivesse como referência a arte de cuidar e de ser cuidado no cotidiano das instituições escolares.
O termo Cuidado Integrativo a que me refiro no trabalho consiste “em um “novo paradigma” que associa conhecimentos orientais milenares e gregos arcaicos, sabedoria de povos nativos e avanços tecnocientíficos ocidentais modernos promovendo a interface entre, além e através dos eixos “Saúde e Educação” visando cuidar de toda a natureza em geral, onde está incluso, faz parte a natureza humana em toda a sua multidimensionalidade, onde a totalidade é manifesta no ato de CUIDAR COM AMOR”.
Sendo assim, o Cuidador Integrativo desempenha sua prática de saúde e de educação “ALICERÇADA EM VALORES UNIVERSAIS” éticos (modo de ser), e morais (costumes) com métodos, teorias e técnicas e, habilidades próprias e a “SERVIÇO DE UM PROPÓSITO MAIOR” (Fontes, 2014).
Portanto, o Cuidador Integrativo é aquele que “CUIDA DE SI, DO OUTRO E DO PLANETA”, a partir de uma “NOVA TOMADA DE CONSCIÊNCIA DO SABER, DO SENTIR E DO FAZER” (Fontes, 2014).

Cynthia – Como foi à aceitação das crianças, pais e educadores para a utilização das essências integradas ao processo educativo na escola?

Cassia – Sou licenciada em Pedagogia com habilitação em Orientação Educacional, Administração Escolar e com Mestrado em Educação, formações concluídas em universidades públicas (UNESP /UNICAMP). Nos últimos 25 anos de profissão exerci meu trabalho como professora, coordenadora pedagógica, orientadora educacional e atualmente como vice-diretora de um colégio de aproximadamente 1400 alunos. Nessa trajetória tive a possibilidade de ter uma percepção do ambiente escolar a partir de todas as suas esferas.
O processo pessoal experenciado no “Curso de Especialização em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos”, na UNIFESP foi fundamental para que pudesse resgatar o meu papel como educadora e acessar criativamente potenciais internos que ajudassem a sugerir propostas de atividades nos espaços escolares e a vislumbrar a possibilidade de mudança nas atitudes de professores, funcionários e crianças que o integram, bem como a colaboração e incentivo dos pais no trabalho desenvolvido na escola a partir das mudanças vislumbradas por eles nas atitudes de seus filhos (as).
Consideramos a importância da inclusão de diferentes técnicas de trabalho no espaço escolar que visassem o reconhecimento e o desenvolvimento das habilidades de crianças, jovens e adultos, bem como o desenvolvimento de uma “escuta” pautada na vivência diária desses indivíduos.
Apresentamos uma proposta metodológica a partir das essências florais de Bach e do Sistema Ararêtama (com a sugestão da apresentação das imagens das flores expostas no espaço físico da escola, de sprays ambientes personalizados e preparados para a utilização nas salas de aula e a possibilidade da formação de pequenos grupos de alunos, professores e funcionários que visassem a iniciar um trabalho de autocuidado com a contribuição de um pedagogo, especialista em Cuidados Integrativos e Terapeuta Floral) a ser discutida e reinventada nos espaços escolares.
A escolha de sugerirmos esta reflexão se deu a partir do caminho percorrido por mim desde a minha formação profissional e acadêmica até os dias atuais, em que também desenvolvo um trabalho como terapeuta floral. Conheci o trabalho com as essências florais a partir de um curso dos Florais de Bach ministrado pela professora credenciada pela Healingherbs, Cássia Santos, na cidade de Rio Claro/SP. Logo depois, conheci Sandra Epstein, produtora das essências vibracionais da Mata Atlântica cujo trabalho é o de apresentar a Mata Atlântica brasileira como uma enorme biodiversidade que traz uma mensagem de regeneração, comunhão e cooperação entre todas as espécies. Participo desde então, de um grupo terapêutico cujo trabalho é coordenado por Sandra Epstein já há 08 anos e que tem como proposta o autoconhecimento e o trabalho de evolução pessoal a partir da análise das nossas ações cotidianas em conexão com os nossos aspectos instintivos, emocionais, intelectuais, físicos e espirituais.
Escolhi realizar a monografia com Sandra Epstein, produtora das Essências florais do Sistema Ararêtama por representar um ecossistema brasileiro (Mata Atlântica) e também, por ser uma educadora e terapeuta floral.
Seguem alguns depoimentos acerca do trabalho realizado:

“Diante da dificuldade de lidar com uma sala de primeiro ano extremamente falante, agitada, inquieta e imatura emocionalmente, pude contar com a colaboração da vice-direção da escola, que também trabalha com florais. Depois de algumas visitas, recebi, além de instruções didáticas e pedagógicas, dicas para usar o floral ambiente, com o objetivo de melhorar a dinâmica da classe. Todos os dias, no início da aula, passei a colocar uma música bem tranquila para o grupo e fazer uma “chuvinha” com o floral sugerido pela nossa terapeuta. Depois de algumas semanas utilizando esta prática, pude notar mudanças nas atitudes de algumas crianças e, consequentemente, no modo de agir do grupo como um todo. Continuo fazendo diariamente esse exercício, que além de bem aceito pelas crianças, tem trazido inúmeros benefícios para o trabalho escolar”.

(X., professora do Ensino Fundamental I)

“Hoje em dia, muitos pais e educadores estão buscando ajuda nas terapias complementares, no meu caso na terapia floral, para a solução de problemas como a desatenção, a agitação e até mesmo a agressividade, pois dificultam os relacionamentos tanto em casa com a família quanto na escola com os colegas e professores. Observei que ao iniciar o uso do floral ambiente na sala de aula, 90% dos alunos desconheciam sua utilização. No início houve rejeição de alguns alunos quanto ao aroma do frasco (lavanda). Os florais em spray, borrifados na sala de aula tem alcançado êxito no propósito de acalmar e concentrar mais os alunos. Eu disse aos alunos durante a utilização do spray que o aroma e as essências florais utilizadas trariam benefícios para a turma e contribuiria para o despertar da criatividade nas atividades artísticas. Com o passar dos dias, os alunos começaram a solicitar o uso contínuo do spray nas aulas. Na conclusão do curso do ensino fundamental II, os alunos dos 9ºs anos destacaram o uso do spray ambiente no discurso em homenagem aos professores:

“(…) a Dona Z.., nos envolve com sua arte e nos acalma com o floral.
(…) A Dona Z., com sua arte e seu floral nos faz sonhar.
(…), a Dona Z., domina as artes e nos perfuma com o floral”.

Reconheço o floral ambiente como terapia complementar no trabalho de sala de aula.

“Os espelhos servem para que se vejam os rostos”.
“A arte e o floral servem para se ver a alma”.
(Z., professora de Artes do Ensino Fundamental II)

“Percebi que meu filho Pedro ficou mais tranquilo, dorme melhor e sua ansiedade diminuiu muito. Com o uso do floral o Pedro ficou mais relaxado e feliz”.

 (C., mãe do Pedro – 10 anos)

Cynthia – Como foi introduzida e aplicada à terapia floral?

Cassia – Após a conclusão do Curso de Especialização em “Teorias e Práticas para Cuidados Integrativos” retornei ao cenário escolar com outra perspectiva de trabalho e pude contribuir com vários profissionais que somam o dia a dia da escola.
Propus que repensássemos o modelo escolar oferecido aos nossos alunos com um levantamento de aspectos positivos e negativos do ambiente como um todo. Era momento de unir forças, de um lado à fundamentação teórica e metodológica inerente ao espaço escolar e de outro, um “olhar” diferenciado e de “cuidado” ao ser humano.
Foi um momento de grande reflexão na escola, pois os professores, colaboradores e alunos puderam se expressar, se posicionar e sugerir propostas de redirecionamento de atividades e programas. Para esses momentos utilizamos as reuniões pedagógicas dos professores, as assembléias de alunos nas diferentes turmas com a ajuda dos coordenadores pedagógicos e dos professores e com a equipe de recursos humanos e colaboradores em espaços pré-estabelecidos conforme o calendário escolar da unidade. A equipe diretiva da escola também se reuniu para refletir e pontuar os objetivos administrativos e pedagógicos a curto/médio/longo prazo da unidade escolar.
Nesse momento, me coloquei a disposição para orientar professores e colaboradores interessados em trabalhar com sprays ambientes contendo essências florais, com as imagens das flores nas salas de aula e no espaço físico da escola, bem como conversarmos sobre a importância do desenvolvimento de atividades que proporcionassem o conhecimento e a participação do aluno no sentido de colaborar com o cuidado do ambiente escolar.
Alguns professores mostraram-se interessados em construirmos um trabalho a partir desse referencial e para isso, levamos em consideração a realidade de cada turma. Solicitaram-nos que preparássemos sprays ambientes com as essências florais para as turmas, pois os alunos mostravam-se muito agitados, desatentos, indisciplinados e desorganizados. Percebemos nesse momento, a necessidade de refletirmos sobre o conceito de “disciplina” na escola. Muitos professores associam disciplina ao silêncio, isto é, uma classe quieta, silenciosa, é uma classe disciplinada.
Além disso, fizemos a orientação aos professores de que ao início das aulas, as crianças fossem recebidas empaticamente e que as carteiras fossem dispostas em semicírculo na classe. Deveriam colocar as mochilas sobre as cadeiras e direcionarem-se para o centro do semicírculo. Nos dias muito quentes, logo que chegavam também tiravam os calçados para ficarem descalços no ambiente da sala. Logo depois, se deitavam em colchonetes individuais, ou se sentavam confortavelmente no chão, fechavam os olhos e sob a orientação dos professores tomavam consciência do corpo através da respiração. Colocávamos uma música ambiente e esborrifávamos o floral preparado exclusivamente para cada turma. Esse trabalho tem sido realizado diariamente no início das aulas por aproximadamente 15 minutos.
Em outros momentos, a turma de alunos escolhe através de um representante a imagem de uma flor (cartas) e conversamos sobre as impressões que ela traz como um todo. Tivemos o privilégio de presenciar em uma das turmas o momento em que um dos alunos escolheu a “SURI” e ao falarem sobre ela fizeram considerações belíssimas como se já a conhecessem. Foi emocionante!

Utilizamos o óleo essencial de lavanda nos sprays em conjunto com as essências florais de Bach e do Sistema Ararêtama.
Epstein (2014) afirma que ao nascermos temos um determinado número de neurônios e diferentes possibilidades para construirmos sinapses enquanto jornadas de percepção e ação. Após os 02 anos de idade, o lugar, a cultura e a família onde nos desenvolvemos modela a nossa plasticidade cerebral dando base aos nossos comportamentos e condicionamentos. Eles não são de todo mal, mas podem nos trazer resistência para experienciarmos a vida a partir de novos pontos de vista que serão fundamentais para a criação de nosso repertório nesta existência.
Pensemos metaforicamente: seria como possuirmos uma mala cheia de ferramentas que irão nos ajudar a interagir com a vida e com as oportunidades. Essas ferramentas são coletadas através de nossas experiências, desafios e crises. Como muitos instrumentos que carregamos dentro dela, o que mais nos enriquece é a resposta que emitimos a cada um desses episódios, ou seja, a criatividade para desempenharmos os diferentes papéis nas relações.
O enriquecimento e a permeabilização de nossa plasticidade cerebral não serão utilizados como deveria ser se estivermos presos aos nossos antigos condicionamentos o que resultará numa menor experimentação da vida. Precisamos desenvolver esta habilidade. Precisamos entender que se ficarmos presos a pontos de vista inflexíveis, nós retardaremos nosso desenvolvimento.
Portanto, a escola pode ser um dos espaços que podem proporcionar este desenvolvimento, pois a partir da sugestão de diferentes atividades e projetos, do contato com diferentes grupos, opiniões e experiências teremos a oportunidade de experenciar a vida a partir de diferentes pontos de vista.
A nossa plasticidade cerebral está limitada por nossos condicionamentos. Utilizamos diferentes áreas de nosso cérebro para desempenharmos diferentes atividades. Mas, existe a possibilidade de ativarmos outras áreas cerebrais para realizarmos conexões a fim de superarmos hábitos que desenham nossa zona de conforto.
Torna-se essencial utilizarmos a sinergia que nos torna hábeis em transitar entre nossas necessidades básicas relativas à sobrevivência, os sentimentos que nos tocam e que tem impacto no nosso comportamento e as concepções que moldam a nossa vida diária.
Necessitamos como humanidade iniciar esse exercício por nós mesmos para construirmos uma existência onde a premissa seja a cooperação. É importante nos empenharmos em nos autoconhecermos e nos desenvolvermos mais. Portanto, precisamos estar atentos à distância existente entre os nossos níveis instintivos e intelectuais, ou seja, assumimos um poder ligado à sobrevivência e a dominação, ou uma existência baseada na afeição, no respeito e na empatia? Nós podemos procurar por paz e cooperação e vibrarmos medo e separação.
O sistema Ararêtama de essências florais trabalha a partir desse enfoque. Muitos seres humanos iniciam seu trabalho de consciência a partir de um ponto de vista, e muitos renovam concepções e vibrações a partir dos campos morfogenéticos que são campos vibratórios que unem as espécies e através deles propaga-se informação, conhecimento e desejos. Isso também se relaciona a nós, seres humanos! Ruppert Sheldrake, importante biólogo tem pesquisado há anos os campos morfogenéticos.
Precisamos trazer isso para a nossa vida cotidiana. Precisamos falar disso de dentro para fora e não somente a partir de nosso intelecto o que significa um trabalho consciente de escolhas e conhecimento.
Por essa razão, a metodologia Ararêtama é um convite para desenvolvermos nossas capacidades com responsabilidade e consciência através da utilização das essências da Mata Atlântica que por si só são inteligências naturais. Isso é fundamental para a criação de uma nova cultura planetária que nos torna mais flexíveis, interativos, empáticos, éticos e, sobretudo responsáveis para que aconteça a sinergia entre as três ecologias. Esta é uma das mais importantes chaves para o novo: a habilidade de refinar todos os dias nossas necessidades pessoais, a qualidade de nossas relações e a contribuição para a comunidade. Esse refinamento depende das ações baseadas nas escolhas conscientes.
Somente através de nossa consciência podemos entender as nossas reações instintivas originárias de nosso sistema límbico, muitas vezes movendo-nos em direções e escolhas totalmente contrárias das que filosoficamente faríamos ou também em direções opostas à nossa felicidade por causa do medo.
A habilidade de nos tornarmos observadores sobre quem somos, o que escolhemos, como usamos nossa vitalidade e quem somos dentro de nós mesmos é o que nos guiará no caminho para a evolução.
Precisamos trazer isso para a nossa vida cotidiana. Precisamos falar disso de dentro para fora e não somente a partir de nosso intelecto o que significa um trabalho consciente de escolhas e conhecimento.

Cynthia – Quais foram os resultados obtidos dessa intervenção com os florais?

Cassia – Além da utilização dos sprays de floral ambiente nas salas de aula, realizamos diferentes atividades que foram propostas aos alunos a partir da premissa já descrita.
Fizemos a proposta de atividades a pequenos grupos de alunos considerados no contexto escolar como aqueles que possuem dificuldades de aprendizagem. Reunimo-nos com estes grupos semanalmente, os acolhíamos empaticamente, fazíamos a trabalho de nos conectarmos em roda, sentíamos nosso corpo e nossa respiração. Esborrifávamos os florais ambientes e iniciávamos os trabalhos programados. O trabalho foi de valorizar cada criança/adolescente a partir das habilidades natas e das dificuldades muitas vezes, evidentes. Numa das atividades propostas, solicitamos aos alunos:

  1. Que desenhassem a seguinte cena: “Um aluno com muitas dúvidas na escola que encontra um professor disposto a   ajuda-lo”. Como seria esta ajuda?
  2. Após esta etapa, que criassem um texto a partir do que haviam desenhado.
  3. Para concluir, que dessem um título ao texto que criaram.
Seguem alguns trabalhos realizados pelos alunos do Ensino Fundamental II:
Título: “Ajuda”

Era uma vez um menino que nunca tinha entendido um exercício direito, sempre tinha dúvida.
A escola era um lugar de zombação e de humilhação, ele até já tentou se trancar no quarto para não ir à escola.
Um dia, a professora de ciências do 8º ano deu aula de todas as matérias para a classe do menino (5º ano).
Ela já tinha trabalhado com psicologia e ajudou aquele menino.
O menino adorava aquela professora, com a ajuda dela o menino conseguiu entender todas as matérias e nunca mais teve dúvida na escola.

(D., – 10 anos)

Título: “Dúvida”

Estava eu assistindo a aula de Geografia quando o professor (Leandro) começou a falar sobre a industrialização no Brasil e eu não estava entendendo muito bem a matéria. Eu não ia muito bem em Geografia.
Aí, resolvi perguntar ao professor:
- Professor?
- Sim!
- Eu não entendi muito bem, você poderia me explicar de novo?
- Sim, olha como é João…
O professor me explicou e eu fiquei sem dúvida, e o professor falou com muita calma e isso me fez entender melhor.

 (J., – 12 anos)

Os desenhos e textos dos alunos forneceram pistas para o trabalho na escola. Todos os alunos fizeram referência à cooperação, a colaboração, a liberdade e respeito às diferenças como fundamentais para a aprendizagem e para a evolução humana.
O cotidiano da escola se revela repleto de histórias… algumas belíssimas e outras, nem tanto. Muitas vezes, perguntamo-nos: – “O que fazer?”. Eu respondo: – “Abra o seu coração, sinta e escute”. “Dê voz e vez… ouça!” “Una referencial teórico, escuta e cuidado!” A partir disso, poderemos criar uma sinergia que será estabelecida através de uma profunda comunhão entre os atores que permeiam o cenário escolar. Precisamos cooperar e não competir!
Torna-se fundamental que criemos espaços nas instituições escolares e em pequenos grupos (não formais) para que possamos trabalhar com as crianças, os adolescentes e os jovens a importância do cuidado de si, que cada indivíduo tem a sua própria luz e que é necessário reconhecermos essa luz em nós. Trata-se de compor um cenário que desenvolva as habilidades e potencialidades de cada um e que considera o ser humano como único e parte de um todo muito maior.
Reconhecemos que as essências florais enquanto plataforma educacional tem a proposta de permitir a construção de novas sinapses e a abertura de canais de percepção para indivíduos e grupos que buscam o autoconhecimento enquanto trabalho educacional e social. Através da flexibilidade, da abertura para o novo, do que faz a diferença entre nós, da empatia, da integração de nossas dicotomias e responsabilidades, podemos adquirir um repertório que irá nos fornecer as ferramentas adequadas para responder à vida de uma forma saudável. Repertório este que se torna fundamental para podermos escolher o que nos conduz à liberdade, pois é necessário que sejamos capazes de selecionar conscientemente o que é necessário para cada um de nós.
Esta metodologia contempla a integração das nossas expressões instintivas, emocionais e intelectuais, assim como as três ecologias: nós nos aperfeiçoamos enquanto indivíduos em nossos desafios diários cuidando da biodiversidade interna, nos refinamos em nossas relações e procuramos bons níveis de qualidade de afeto contribuindo de alguma maneira com projetos comunitários, trabalhos voluntários e nos tornando o modelo daquilo que acreditamos ser.
Ao trabalharmos com o desenvolvimento das diferentes habilidades de crianças e jovens reconhecemos a capacidade de cada um.

“Cássia, obrigado!” (J. – 15 anos)

Sabemos que muitas outras atividades podem ser planejadas, organizadas e realizadas no ambiente escolar a partir dessa perspectiva de trabalho.
Poderemos assim, contribuir para a formação de crianças, adolescentes e jovens comprometidos consigo mesmo, com os outros e com o Planeta.
Trata-se de olhar o “aluno” sob outra perspectiva. Significa trazer a tona aspectos do cotidiano escolar que muitas vezes estão submersos o que permite à re (construção) da história pessoal e coletiva de todos os que estudam e trabalham na instituição, de forma a dissolver o que está rigidamente moldado.
A cultura escolar é tecida dia a dia, baseada em uma “sensibilidade coletiva”, capaz de uma criatividade, na qual se misturam o instituído e o instituinte, a ordem estabelecida e a desordem, o saber global e o saber local, o macro e o micro.

Propomos ao (a) leitor (a) desse texto a seguinte reflexão:

Que tal lançarmos um olhar diferente para o que acontece na escola?

Acreditamos que é no processo de formação desses estudantes, que os mesmos podem transformar o sentido da escola dando um novo significado para o conhecimento e para as relações sociais no espaço público.
É possível no espaço escolar romper com o isolamento dos alunos e professores e criarmos uma comunidade de trabalho.
Uma comunidade inserida no espaço das salas de aula…
Uma comunidade que coexiste tendo como lema de trabalho a “unidade na diversidade”…
Uma comunidade de colaboradores e professores que partilham conhecimentos e colaboram com ações em prol do desenvolvimento pleno dos alunos levando-se em consideração as singularidades…
Uma comunidade que trabalha a favor da “comum unidade” de projetos, aquisição de conhecimentos, vivências e conflitos…
Da comunidade nasce uma proximidade afetual que possibilita uma troca recíproca, sem eliminar a autonomia dos indivíduos e as suas diferenças.
Epstein (2014) afirma que os indivíduos experenciam a realidade a partir de três centros de percepção que são distintos entre si: o instintivo, o sentimental e o intelectual. As essências florais fazem com que esses três centros entrem em sinergia positiva para que tomemos consciência dos mecanismos que envolvem as nossas emoções, os nossos sentimentos e as nossas concepções para administrarmos os conflitos internos. Isto é o que nos tornará hábeis em transitar entre as nossas necessidades básicas relativas à sobrevivência, os sentimentos que nos tocam e que têm impacto no nosso comportamento e as concepções que moldam a nossa vida diária.
Nesse contexto, precisamos estar atentos à distância entre os nossos centros instintivos e intelectuais. No espaço escolar, podemos discursar e escrever sobre a premissa da cooperação e vibrarmos cotidianamente medo e competição. A habilidade de nos tornarmos observadores de nós mesmos, do que escolhemos, do como utilizamos a nossa vitalidade e compreendermos quem somos dentro de nós mesmos é o que nos guiará no caminho para a evolução.
Com a contribuição conceitual do Sistema Ararêtama e da prática, a partir das essências florais da Mata Atlântica que tem como base a inteligência biológica de cooperação desta floresta, o cuidador integrativo pode iniciar na escola um trabalho de consciência a partir da renovação de concepções e vibrações, auxiliando no processo de transformar a escola em espaços de convivência e respeito às diferenças.
Colaborar para a construção de uma escola onde as regras possam ser discutidas, construídas e respeitadas coletivamente. Esse trabalho pode ser feito em conjunto com a equipe administrativa e pedagógica a partir de pequenos grupos de professores, crianças, adolescentes e pais no próprio espaço escolar ou fora dele e é fundamental para que todos possam lançar um novo olhar da e para a instituição.
Trata-se de pensar a escola como mais um dentre os espaços para a constituição de indivíduos que procuram compreender sua presença no mundo e buscam construir projetos em condições desafiadoras e adversas impostas pela sociedade atual.
Acreditamos que se torna necessário aproveitar, organizar e rever todos os dados da nossa experiência escolar, a fim de que seja criado na escola, um espaço comum aos alunos, pais, professores, colaboradores e direção, onde cada um tenha a oportunidade de se autoconhecer e conhecer o outro, de falar e de ouvir, constituindo assim, um processo de contínua renovação e enriquecimento que favoreça o trabalho proposto na instituição.
As essências florais trabalham a serviço da COOPERAÇÃO e trazem da Mata Atlântica essa mensagem para toda a humanidade. Urge trabalharmos a partir dessa premissa em nossas escolas. Sendo assim, poderemos partilhar experiências, pontos de vista e construir projetos em prol de todos os que dividem esses espaços, sejam nas salas de aula ou nos setores afins.
Nas atividades desenvolvidas pelos alunos, surpreenderam-nos as soluções que apresentavam para os questionamentos oferecidos. Muitos deles sugeriram que a afetividade é o “start” para a resolução dos conflitos. Torna-se fundamental que o professor entre em sinergia com seu aluno, ou seja, que ambos vibrem e busquem despertar as capacidades inventivas, o contato com o diferente e com as novas possibilidades de (re) aprender.